NEGO - BRANCO SOBRE BRANCO

Izidorio Cavalcanti / 2010

É sabido que a contemporaneidade na arte pode ser entendida a partir de suas várias manifestações, e também, por um contexto histórico permeado de descobertas, pesquisas e experimentações onde a arte dita tradicional dá lugar às novas designações: a arte conceitual, a instalação, a arte-póvera, landart, arte ambiental, body art, entre outras.
As repetições da vida diária e a proliferação de bens de consumo são observadas e refletidas na “informalidade”. Informalidade essa que, cada vez mais, cresce na vida urbana das grandes cidades.
Neste trabalho, “Nego – Branco Sobre Branco”, proponho uma epistemologia na construção e na observação do processo lúdico, através da colagem de papel um sobre o outro e a interação direta do público que ajudará na construção da obra.
Baseado na bandeira do estado da Paraíba onde “Nego” deriva-se da conjunção do verbo negar remetendo a não aceitação política da época, direciono convites a pessoas com formações em áreas diversas a vivenciar em grupo este trabalho, onde busco despertar nos participantes a compreensão dos elementos da psicanálise na estética da construção do objeto, levando-as a uma ressignificação da obra.
Inicialmente, a pesquisa se desenvolverá a partir da construção da bandeira do estado da Paraíba “Nego”, tendo como matéria-prima uma mesa pintada de branco, um monte em pó de óxido de cálcio, conhecido popularmente como cal, onde será feita a bandeira.
E no decorrer dos dias, papéis rasgados e costurados com linhas brancas de algodão em formatos aleatórios, estilo bordado, trabalhados pelas mãos individualizadas dos participantes, transformando objetos em obra de arte.
Um atemporal do inconsciente nesta distinção da significação de uma obra de arte. Diluir o distanciamento da tecnologia do século XXI entre os homens torna-se o propósito da obra.
Transformações em alucinose, que se traduzam pela profunda negação da realidade. Surpreendentemente, compõem o dia-a-dia da “vida” em sociedade, dos fenômenos de grupo. A terminologia, emprestada da psiquiatria, indica a presença da alucinação em uma personalidade de resto conservada. É a psicose do cotidiano, base da vida social de hipocrisia e ilusão; o triunfo das fantasias onipotentes, da idéia de que há algo(ideologia, pessoa ou coisa)superior a tudo; a idéias de que receber é superior a dar. ( Walfred Ruprecht BION -Memória da Psicanálise)

CAMBRAIETA

Izidório Cavalcanti / Recife-PE / 2006

Semelhante a cambraia, porém menos fina cambraia ordinária no sentido popular. O trabalho lembra um tecido, e ao mesmo tempo remete a transparência e a opacidade. Feita de linha de algodão, o estorvo força o olhar a contar as linhas de forma bastante lúdica e nebulosa, apesar de, aparecer bastante natural e partindo do procedimento artesanal, incorporan- do em um processo construtivo e intuitivo em que o objeto é destruído. Um simulacro refeito, restaurando que repensa um exercício.
O espaço transparente do vidro e a opacidade da linha constroem o tema: Bordado, um ofício quase em extinção, uma temática do nordeste,(Brasil).
Procuro aqui de forma empírica, mostrar o idílico deste trabalho ao qual me apropriei – uma ilustração do sistema coetâneo nas artes visuais.
O vidro com a transparência possibilita a visibilidade. Traços, registros e ações de um resultado desta fusão e sua poética é a ponte para unir o erudito e o popular, o sofisticado e o rústico, como característica da colocação do tipo empregado na tapeçaria.
A reprodução das imagens e os signos são comunicações de copos, vasos, jarras, cálices, utensílios domésticos e objetos de laboratórios de ensaio químico. São elementos apropriados que subvertem seu vicário original, vestígio de um sacrifício, com bastante cuidado, com silêncio e solidão, que empenham o meu trabalho: O bordado.
Um conceitualismo da obra transformando-o de objeto para objeto-forma, um gesto regado pela liberdade da forma quando é visto 360º graus ou o interior do objeto-forma, apesar do objeto propor uma redução na visibilidade, o cubo branco permaneça transparente e nebuloso. Será que existe arte neste campo vazio e opaco? Como resultado distribuído num total de *cem trabalhos negando uma realidade desta fantasia, um processo do sistema dentro dos seus limites do desenvolvimento: vidro e linha, pensamento casual.
O significado positivo deste desenvolvimento é o desvio das categorias pré-estabelecidas nas Artes Visuais, através da minha fantasia de um fenômeno que considero ponto de vista e depois do outro, atingindo uma ênfase positiva ou negativa, meu bordado.

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